Mídia e desmatamento é tema do último dia do 3º CBJA
20 de março de 2010
Os jornalistas precisam de especialização para melhorar as coberturas sobre assuntos relacionados ao meio ambiente. Esta foi a observação dos palestrantes da mesa redonda “Imprensa e Desmatamento” do 3º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA). A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Socioambiental (ISA), Adriana Ramos, o editor do Caderno de Meio Ambiente do jornal Folha de S. Paulo, Claudio Ângelo e o secretário de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema/MT), Luís Daldegan, discutiram, no último sábado (20), medidas para aprimoramento de atuação dos profissionais de comunicação.
Segundo o secretário da Sema-MT, Luís Daldegan, os comunicadores devem receber treinamentos para traduzir estudos técnicos e dados científicos em informação simples para a população. “Há uma necessidade dos jornalistas em se informarem. Eu explicava para alguns jornalistas siglas como Deter, Prodes, daí um mês estavam eles me perguntam de novo o que significa isso”, disse.
Daldegan critica a versão unilateral que a mídia dá os assuntos ambientais. “Quando se trata de crise ambiental mundial, você vê nas manchetes dos jornais, mas quando é sobre medidas tomadas em contrapartida a essas situações, eles colocam no rodapé”, reclama.
Claudio Ângelo da Folha de S. Paulo, fez uma interessante comparação do tema do desmatamento com a inflação no Brasil. Para ele, ambos são produtos da época militar, calcados no intuito do crescimento rápido. O jornalista afirmou que desmatamento deveria extrapolar as editorias especializadas, mas não é o que se vê. ‘’Só nos momentos de crise o desmatamento aparece nas editorias dos jornais de política e economia. Fora esses momentos, só se tornam visíveis em cadernos específicos ligados ao meio ambiente e ciência’’, frisa.
O país é carente de profissionais para cobrir temas como o desmatamento, desenvolvimento sustentável, entre outros. A censura dessas pautas é outro ponto levantado pelos palestrantes. A pesquisadora Adriana Ramos contestou a falta de transversalidade no tratamento do tema, que exige pensar em um cenário sócio-político e econômico complexo.
Por Denise Soares, Douglas Carvalho, Francieli Cela e Reinaldo Fernandes
Cobertura experimental do CBJA2010/Unic.
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