20 de março de 2010
Daniela Torezzan / Estação Vida
A senadora Marina Silva falou sobre o Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Mato Grosso (ZSEE) durante coletiva de imprensa concedida nesta sexta-feira, 19, pouco antes de sua participação como palestrante no 3° Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado em Cuiabá/MT.
A senadora afirmou que vê com muita preocupação a possibilidade de aprovação de uma proposta apresentada recentemente pelo deputado estadual Dilceu Dal'Bosco, a pedido de lideranças partidárias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, principalmente porque desconsidera um trabalho de 20 anos, embasado por estudos técnicos realizados por pesquisadores e especialistas, inclusive com a aplicação de recursos públicos para isso.
Ela também citou que a proposta é inaceitável por desconsiderar todo o processo legal estabelecido para a discussão do ZSEE/MT, que realizou várias audiências públicas em todo o estado. “Esse grupo de deputados está mudando em três meses o que levou 20 anos para ser construído. A nova proposta desconstrói as propostas dos movimento sociais, ambientais, de populações tradicionais, numa atitude arbitrária e de desrespeito”, frisou a senadora.
Marina Silva demonstrou estar acompanhando de perto o assunto ao fazer um breve relato do histórico do processo de discussão e elaboração do zoneamento de Mato Grosso, citando que o primeiro substitutivo, apresentado pelo deputado estadual Alexandre César, embora contenha mudanças, preserva os critérios legais e técnicos e contempla ainda as contribuições da sociedade colhidas durante as audiências regionais.
A senadora classificou a proposta das lideranças partidárias apresentada recentemente como uma manobra política e disse que “Mato Grosso não pode ficar a mercê de interesses econômicos que representam uma minoria em detrimento de todo um estado”.
Para Marina Silva, o ZSEE/MT não pode se transformar numa peça política que se muda ao sabor dos interesses políticos nas vésperas das eleições com a intenção de se agradar financiadores de campanhas, sob o risco de o estado ficar exposto mundialmente, mais uma vez, de forma negativa. “Não basta fazer propaganda que é a favor do meio ambiente. É preciso ter ações que realmente comprovem que está se buscando a preservação da natureza e do homem”, concluiu a senadora.
As duas propostas de zoneamento estão na Comissão Especial da Assembleia Legislativa e só uma delas será encaminhada para votação.
Para denunciar os graves equívocos da proposta apresentada pelas lideranças partidárias, cerca de 10 entidades ligadas ao meio ambiente, movimentos sociais, indígenas e populações tradicionais, divulgaram nesta sexta-feira um manifesto público.
O documento, intitulado "Mapa dos pesadelos", aponta diversos pontos críticos na proposta de reordenamento territorial de Mato Grosso, entre eles, a exclusão de 14 terras indígenas em processo de homologação e demarcação, de nove áreas propostas para Unidades de Conservação, flexibilização de reserva legal em todo o Estado, redução de 34% da área de floresta e aumento de 70% da área de agricultura mecanizada sobre regiões consideradas de grande importância para conservação, como as cabeceiras do rio Xingu.
Confira aqui o manifesto na íntegra.
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