19 de janeiro de 2010
A partir do momento em que compreendemos o meio ambiente como “o lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais estão em relações dinâmicas e em interação, e que essas relações implicam em processos de criação cultural e tecnológica e em processo históricos e sociais de transformação dos do meio ambiente natural e construído” . Perceberemos que a comunicação, em suas diferentes linguagens e suportes, poderá potencialmente auxiliar no processo de orientação de conduta, tomada de decisão, desenho de estratégias e ações em benefício de uma melhor compreensão do campo científico e ambiental; consequentemente, da nossa sociedade. E, admitindo a perspectiva de que a ciência abriga diversas dimensões da sociabilidade, estando intimamente ligada, em seu sentido mais amplo, a própria noção de qualidade de vida - do bem comum e do direito social -, não poderemos abdicar do poder desta ferramenta na edificação de um efeito social que nos leve a justiça e igualdade.
Neste sentido, podemos apontamos que a participação de jovens nos processos de construção de uma comunicação - em especial do jornalismo ambiental - direcionada à juventude é de fundamental importância para que os jovens tenham uma maior compreensão da importância de um ambiental de qualidade e de uma sociedade justa, baseada nos princípios da sustentabilidade.
Partindo da perspectiva de que a juventude faz parte de um contexto de modificações sociais e de que os meios de comunicação são um campo social específico, detentora de poder, interesses, instituições e atores que disputam posições no jogo das interpretações da realidade. A comunicação construída por jovens deve ser estimulada a trabalhar nas áreas que temos sinalizado em parágrafos procedentes e nas temáticas tais como: a ciência, o meio ambiente e a saúde; com a finalidade de que novos jovens sejam sensibilizados a consumir uma informação direcionada a eles, e que tenham por finalidade a educação para a sustentabilidade.
Neste sentido, se queremos lograr uma comunicação que colabore em benefício da sociedade jovem, que seja uma ferramenta fundamental que proporcione consciência na população e nos jovens, é necessário que todos os atores estejam envolvidos neste processo, atores tais como: pesquisadores, profissionais do campo científico, gestores públicos, jornalistas e outros comunicadores.
Talvez este seja o caminho mais fácil para mensurar de que maneira a justaposição do conhecimento nos veículos de comunicação possuí uma relação diretamente proporcional à qualidade de vida da sociedade . E, como demonstra diversos estudos empíricos no Brasil e no Mundo, é mais do que necessário criar um sistema onde todos participem do processo de difusão de uma comunicação para os jovens.
A juventude é a fase da vida marcada pelas ambivalências. Os projetos do futuro que são construídos pelos jovens encaixam perfeitamente no que chamamos de Desenvolvimento Sustentável, sendo o caminho que muitos jovens traçam para alcançar seus sonhos, a Educação Ambiental, área que tem se tornado o meio de expressão e manifestação do desejo de atuar e participar. Vivenciar, desenvolver e compartilhar processos transformadores a partir da educação ambiental e do jornalismo ambiental mantém a chama da esperança acendida e possibilita reflexões para a construção de mudanças.
Sustentabilidade
Entendo a sustentabilidade como “a possibilidade de se adquirirem continuadamente condições iguais ou superiores da vida para um grupo de pessoas e seus sucessos em u dado ecossistema (…) basicamente, se trata do reconhecimento de que é biofisicamente possível em uma perspectiva de longo prazo ”, e, percebendo de que a inquietude da juventude com relação ao seu futuro perpassa principalmente pelas questões socioambientais. O jornalismo ambiental feito por jovens para os jovens se propõe com uma ferramenta de todas as sociedades para todos os públicos. É a partir desses desejos que se torna possível a formação de um novo paradigma – subjetivo – que pode ser um instrumento para constituição de uma melhor qualidade de vida.
Segundo informa a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI, 2005), no Brasil somente 5,11% das fontes das notícias são jovens. Nos atuais meios de comunicação vemos o que chamamos de “mídias jovens” tratarem a juventude apenas como “audiência”. Por este acepção, é mais do que importante que os jovens participem do processo de construção das notícias ambientais, onde teríamos uma maior participação dos jovens em todos os processos de edificação e cobertura das informações. Somente assim será possível desenvolver um jornalismo para a sustentabilidade, um instrumento que seja uma ferramenta social.
Cenário de mudanças
Neste cenário de grandes mudanças sócio-econômicas-culturais-ambientais, a juventude emerge com a responsabilidade de promover um habitat mais equitativo, configurando a civilização e as atividades humanas de maneira que a sociedade, em suas mais diversas gerações, possa “suprir as necessidades das gerações atuais sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”.
Como o jornalismo trata da vida cotidiana, tendo como foco as singularidades dos fatos para construir suas notícias, não é de estranhar que a saúde e o meio ambiente tenham presença consideráveis na cobertura dos meios de comunicação e sejam temáticas tão presentes entre os jovens. Por isso, é muito importante que todos os jovens juntos possam construir uma comunicação que tenha como objetivo um discurso jovem para os jovens, onde sua finalidade seja as articulações para a reformulação do comportamento deste grupo social em relação à crise socioambiental existente.
Desafios
Como desafios para essa compreensão e construção, já que reconhecemos o papel que os meios de comunicação exercem sobre a nossa sociedade, apontamos para a importância de direcionarmos essas influências na consolidação de valores, mentalidades e atitudes, que estimule o desenvolvimento de uma visão crítica e de uma postura participativa, sendo os jovens os agentes da mudança e da informação participativa. Este é o grande desafio do jornalismo ambiental praticado por jovens.
Por tanto, a juventude é uma ferramenta muito importante no que se refere à promoção e difusão de práticas educativas a partir do poder dos meios de comunicação. Portanto, a utilização de uma informação feita pelos jovens para os jovens é fundamental, não só para realizar os diagnósticos, mas também para determinar estratégias que são fundamentais para as mudanças sociais.
Somente a partir da consolidação destes valores e princípios é que será possível atingir um dos objetivos do Capítulo 40 da Agenda 21: “É necessário fortalecer os mecanismos nacionais e internacionais de processamento e intercâmbio da informação e de assistência técnica conexa, a fim de assegurar uma disponibilidade efetiva e igualitária da informação produzida nos planos local, estadual, nacional e internacional, dependente da soberania nacional e ao direito de propriedade intelectual relevantes” (40.19) .
*Efraim Neto é um dos palestrantes do 3 CBJA. Jornalista, membro do conselho consultivo da Campanha Global de Ações pelo Clima-Brasil / TicTacTicTac (GCCA). É um dos atuais moderadores da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA). Possui experiência na cobertura de eventos internacionais (World Youth Congress, Fórum Social Mundial) e na assessoria de organizações com a 350.org. É idealizador do Plano de Capacitação de Jovens Jornalistas Ambiental, realizando em parceria com a Fundação Avina e Rebia. Desde 2005 tem atuado em redes de comunicação e questões ambientais na América Latina e no Mundo.