“Nem tudo que é torto é errado.
Veja as pernas do Garrincha
e as árvores do cerrado”
Nicolas Behr
É fácil achar Cuiabá. Pegue o mapa da América do Sul e procure o ponto que fica bem no meio. É lá. Em Cuiabá fica o centro geodésico da porção sul do nosso continente. Uma cidade quente, ops, quer dizer, calorosa, que espera seus visitantes com guaraná ralado de manhã, peixe frito na beira do rio, uma cervejinha no final da tarde...
Com quase 600 mil habitantes, Cuiabá é considerada a porta de entrada tanto da Amazônia quanto do Pantanal, pois é ponto de partida de turistas para os dois destinos. Seu bonito Cerrado, retorcido e encantador, pode ser visto em dois parques urbanos – Massairo Okamura e Mãe Bonifácia, este último bem pertinho do Centro de Eventos Pantanal. Para você, que vem a Cuiabá participar do CBJA2010, seguem algumas dicas de como curtir essa cidade cheia de pequenos encantos.
Onde ficar
Para os orçamentos mais econômicos, os hotéis do centro da cidade são os mais indicados, pois facilitarão o acesso ao Centro de Eventos e tem muitas opções de restaurantes e petiscos. Para os que se preocupam com conforto e mais qualidade, mas querem gastar pouco de táxi, os hotéis da Avenida Historiador Rubens de Mendonça, vulgo Av. do CPA, são uma boa opção.
O que comer
Se você não for alérgico ou vegetariano radical, não deixe de visitar uma das peixarias da cidade. Piraputanga assada (ou pêra para os íntimos), mujica de pintado e ventrechas de pacu são os pratos mais famosos. Cuidado com a cabeça de pacu, dizem que quem come se apaixona pela cidade e nunca mais vai embora.
Experimente também o bolo de arroz, uma delícia doce à base de arroz socado no pilão. E por falar em pilão, também prove a paçoca de pilão, que não tem nada a ver com doce de amendoim – é um prato salgado com carne de sol. Para completar o roteiro, uma boa galinhada ou arroz com pequi. Prepare seu apetite, a culinária típica cuiabana tem muito para se descobrir. Nas quintas-feiras o SESC Arsenal tem uma ótima feira de artesanato e culinária, mas é claro que ninguém vai perder a abertura do Congresso, então, para conhecê-la, aproveita a volta da sua esticadinha por algum dos muitos pontos turísticos do estado. Aos sábados tem uma feira de artesanato e comidas típicas na Praça Santos Dumont, quase no centro.
Fora a culinária típica, há inúmeras opções, para todos os bolsos e gostos. Churrascarias, pequenos restaurantes de comida caseira, bacalhau, sanduíches, pizzarias e lanches rápidos, famosos localmente como baguncinha.
Para os vegetarianos, uma dica especial: o único restaurante vegetariano da cidade fica no centro, perto da Igreja da Boa Morte, no centro, e não abre aos sábados. Mas ninguém terá dificuldades em fazer uma boa refeição sem carne em restaurantes do tipo self service.
O que beber
Não são exatamente típicos de Cuiabá, mas são imperdíveis: Canjinjin e Licor de Pequi. Se bater o olho em algum deles, não deixe passar!
Para os boêmios, o point mais tradicional da cidade é o Chopão. Bem no centro, cerveja gelada e um revigorante escaldado para quem começou a beber cedo e nem percebeu que já é madrugada. Não sabe o que é escaldado? Uma bela sopa com frango e ovos. Tem comida a la carte também para quem quiser jantar. Se for lá, sente nas mesas da calçada e divirta-se tentando decifrar todos os elementos da pintura na parede. A obra é de um artista plástico cuiabano, Adir Sodré.
Um roteiro para curtir Cuiabá como se você morasse lá
Comece tomando o café da manhã com os famosos bolos de arroz da Dona Eulália, o mais tradicional de Cuiabá. Fica na Rua Professor João Félix, 470, Bairro Lixeira. O atendimento é nas terças, quintas, sábados, domingos e feriados. Depois vá dar uma caminhada no Parque Mãe Bonifácia, um pedacinho de cerrado no meio da cidade. Apesar do córrego poluído, vale a pena caminhar pelas trilhas, com sorte você poderá ver alguns macaquinhos nas árvores, tem um bando que mora no parque. Na saída, tome uma água de coco para se manter bem hidratado.
Chegando a hora do almoço, você pode conhecer o garçom mais engraçado da cidade na Peixaria Popular (Av. São Sebastião, 2324), ou comer a deliciosíssima piraputanga assada no Só Pêra (Rua Manoel Garcia Velho, 582). Aí chega a hora mais quente do dia, aproveite e tire uma sesta, afinal, você está de folga.
Depois vá visitar o Museu Rondon, na UFMT. Lá você vai conhecer um pouco mais sobre os povos indígenas do estado. Funciona nas segundas à tarde, de terça a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h30h às 17h30, e sábados até o meio dia. Aproveitando que você estará na universidade, vá até o Zoológico. Funciona de terça a domingo das 7h30 às 17h30. O final de tarde deverá estar próximo, a essas alturas. Sente-se num dos bancos do zôo para assistir ao pôr do sol e ver as aves chegando do Pantanal.
Na ida ou na volta, dê uma paradinha na Igreja de São Benedito, que fica no caminho. Santo da devoção cuiabana, tem uma igrejinha é linda e uma festa muito esperada na cidade, em agosto. Tem missa todos os domingos às 9h30 e às 19h. Nos dias de semana a Secretaria está aberta de tarde até às 17h30, se por acaso estiver fechada, dá pra pedir pra entrar.
A noite está cheia de atrações. Você pode ir comer e tomar um chopp na Praça Popular, no Centro; jantar e ouvir música no Tom Chopim (Rua Laranjeiras, 701); curtir a boemia do Chopão (Rua Presidente Arthur Bernardes, 16) ou comer alguma coisa próxima de onde você e está e depois dançar um chorinho no Choros e Serestas (Rua João Lourenço de Figueiredo, 163). Há várias outras boates na cidade, peça uma dica conforme o estilo de sua preferência. Se você está com uma turma e quer só beber, ouvir boa música brasileira e comer uns petiscos, Fundo de Quintal (Rua Estevão de Mendonça n. º 1139, no bairro Quilombo) é uma boa pedida. Antes de chegar no fundo do quintal você passa por um jardim com gansos que avisam que tem gente entrando.
No dia seguinte, vá comer um peixe na beira do rio. Há duas opções - e o melhor seria ter um terceiro dia livre e visitar ambas. Na comunidade de pescadores de São Gonçalo Beira Rio, que fica próximo ao Coxipó, você come peixe em mesinhas de madeira na beira do rio, tem várias barraquinhas na rua. Aproveite pra fazer a lista de quem você quer presentear e leve as cerâmicas bonitas dos artesãos de lá. Você não vai acreditar no quando elas são baratas! A comunidade tem uma festa tradicional na primeira quinzena de janeiro, em torno do dia 10. Em Várzea Grande, munincípio vizinho, também tem peixe na beira do rio, mas dessa vez em peixarias mais tradicionais. Os pescadores de lá também têm uma festa tradicional em junho, no dia 29, dia de seu padroeiro São Pedro.
Depois de se fartar de peixe, visite o Museu que fica no Morro da Caixa d’Água Velha, na Rua Comandante Costa esq. Nossa Senhora de Santana s/n. Centro Sul. É uma construção bonita e o museu é bem bacana. Sua lista de presentes certamente não se esgota na cerâmica, então vá até conhecer a Arte Índia na Rua Pedro Celestino. Fica aberta de segunda a sexta das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. Além de comprar artes índias, você pode ter a sorte de conversar com algum dos próprios artistas.
É final de semana? Então passe na feira de artesanato na praça Santos Dummont (Av. Getulio Vargas) que começa às 16h. Tem várias barracas de lanches e comidinhas típicas e fecha cedo, às 21h. Depois, cheque a programação do SESC Arsenal ou do Cine Teatro Cuiabá. Sempre tem teatro, cinema ou música num deles. Se você tiver sorte, pode pegar uma apresentação da Orquestra do Estado de Mato Grosso, que é maravilhosa.
Pronto, você terá tido uma boa mostra do que a gente faz para se distrair em Cuiabá!
Para esticar a viagem e conhecer um pouco de Mato Grosso
No mínimo, você deve conhecer a Chapada dos Guimarães. É um município vizinho a Cuiabá, distante 60km, com ônibus regulares saindo da rodoviária central. Além do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, há inúmeras cachoeiras em propriedades particulares, trilhas e lugares de contemplação. É imperdível.
Para programas de mais dias há muitas opções. Mato Grosso é um excelente destino turístico para amantes das águas e ecoturistas. Mas atenção: março é quase o final da estação das águas, há poucas praias de rio disponíveis e as cachoeiras estão na sua maior vazão, é bom se informar das condições das estradas e dos rios para não se frustrar nem entrar em canoas furadas.
Pantanal
Pode-se percorrer a Transpantaneira, conhecer Poconé, Barão de Melgaço, Cáceres e outros lugares. Mesmo sem guia, é fácil pegar a estrada e ir pedindo dicas de cachoeiras e prainhas de rio pelo caminho. O povo é sempre simpático e assim se descobre coisas que não estão nos mapas. O Pantanal é excelente para quem quer ver fauna.
Amazônia
Os bons roteiros de Amazônia são os mais distantes, porque a floresta mais preservada está bem ao norte do estado. Mas vale a pena, os lugares são lindíssimos. Há três roteiros básicos: Nortão, Extremo leste e Noroeste.
O Nortão é como é conhecida a região mais próxima da BR-163. Alta Floresta é o principal ponto, com um excelente hotel de selva na beira do Parque Estadual Cristalino, hot spot de observação de aves. Também vale a pena conhecer a Pedra Preta, em Paranaíta, um derramamento basáltico coberto de inscrições rupestres em baixo relevo. Há várias pousadas especializadas em pesca esportiva nos rios Teles Pires e Juruena. Por lá também há o Parque Nacional do Juruena, mas infelizmente ainda não está aberto para visitação. No caminho para Alta Floresta, aproveite e pare em Nobres, um lugar lindo demais, excelente para esportes aquáticos como flutuação, a cerca de 250km de Cuiabá. A vegetação é Cerrado e as águas se dividem entre a Bacia Hidrográfica do Pantanal e Amazônica.
No Leste está o vale do Araguaia, também excelente ponto de pesca. Vale a pena conhecer Barra do Garças, São Félix do Araguaia e Luciara na época da seca, quando as águas baixam e formam lindas praias. É nessa região que fica a misteriosa Serra do Roncador, onde desapareceu o explorador Percy Fawcett. No Noroeste, vale a pena conhecer o Salto Dardanelos, no município de Aripuanã, cuja beleza estonteante é ameaçada pela construção de uma polêmica hidrelétrica. As obras já estão em curso.
Cerrado
Além da Chapada dos Guimarães, toda a região da Chapada dos Parecis possui lugares bonitos para se visitar, relativamente próximos à Cuiabá. Mais para o sudoeste do estado, visita aos parques estaduais Serra de Santa Barbara e Ricardo Franco, quase na fronteira com a Bolívia. Vila Bela de Santíssima Trindade também é imperdível.